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Archive for the ‘Gerais’ Category

O portal Universia Brasil lançou nesta semana uma compilação digitalizada de 96 títulos que compõem os “Clássicos de Harvard”. A coletânea, originalmente conhecida como “Dr. Eliot’s Five Foot Shelf”, faz parte de uma antologia de 51 volumes de obras clássicas da literatura mundial editadas, em 1909, por Charles W. Eliot, então reitor da Universidade de Harvard.

Em discursos, Eliot afirmou diversas vezes que os principais elementos de uma educação liberal podiam ser alcançados gastando 15 minutos diários de leitura em uma coleção de livros que poderia caber em uma prateleira de pouco mais de um metro. Diante dessa afirmativa, a editora P. F. Collier and Son desafiou o reitor a realizar o que propunha, selecionando uma coletânea de obras. Desse desafio nasceu a coleção “Clássicos de Harvard”.

Entre as obras selecionadas estão Don Quixote, de Miguel de Cervantes, Crime and Punishment, de Fyodor Dostoyevsky, Utopia, de Thomas More, Pride and Prejudice, de Jane Austen e dezenas de outros livros.

A compilação dos clássicos da literatura mundial integra a biblioteca que o Universia vem montando desde 2011. Atualmente, o portal reúne cerca de 700 obras digitalizadas, todas disponíveis para download gratuito. Segundo Alexsandra Bentemüller, gerente de conteúdo do site, o Universia espera ultrapassar a marca de 1 mil títulos até o fim de 2012. “É importante ler sempre e é importante ler bem”, diz ela, lembrando que a escolha de obras visa atender aos mais variados estilos.

Alexsandra ressalta também que, neste caso específicos, as leituras podem ajudar bastante àqueles que querem ou precisam treinar o inglês, uma vez que as obras estão escritas no idioma.

A lista com os 96 títulos disponíveis em versão PDF está disponível no portal Universia Brasil.

Via: http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,obras-que-compoem-classicos-de-harvard-estao-disponiveis-para-download-em-portal,923772,0.htm

 

 

 

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Vale a pena conferir! São ilustrações de todas as edições de qualidade das Fábulas de Ésopo:

http://www.flickr.com/photos/38299630@N05/collections/72157625472117156/

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Benilson Toniolo

O escritor Jorge Amado em desenho de Carlos Scliar

Gostaria primeiramente de agradecer imensamente o convite feito pela Biblioteca Municipal, na pessoa do Professor Sérgio Asquenazi e também do nosso amigo Carlos Abreu, ambos grandes – e históricos – entusiastas da cultura jordanense, para estar aqui nesta noite e falar um pouqinho sobre este escritor baiano cuja vida e obra se confundem com a prória trajetória cultural brasileira. Vou tentar aqui fazer uma breve reflexão acerca do autor e de minha experiência pessoal, como leitor e escritor, sobre ele.

Segundo a máxima de Borges, o que o escritor lê é mais importante do que escreve, porque ele lê o que gosta mas só consegue escrever aquilo que consegue. Portanto, podemos entender que o escritor, assim como todo artista, é refém de suas próprias limitações. Por outro lado, Schopenhauer dizia que o homem que lê o dia todo, ou durante muitas horas, e nos intervalos da leitura investe seu tempo em ações e pensamentos ordinários, triviais, sem uma reflexão crítica sobre aquilo que foi lido, acaba por perder a capacidade de pensar por conta própria, passando então à condição retratada pelo próprio Schopenhauer de pessoas que ficaram estúpidas de tanto ler.

Digo isto porque a leitura de um autor como este que retratamos hoje requer, do leitor, mais do que a trivial concentração, um envolvimento, uma capacidade de alteridade que extrapola sua condição de mero leitor e faz com que este passe a interagir com a obra. Sem conseguir vislumbrar mentalmente o ambiente onde a trama se desenrola, sem que se consiga extrair da rica prosa amadiana os cheiros, sem que sinta o perfume das mulheres, o frescor da brisa marinha, sem que se tome partido nas incontáveis discussões e batalhas pela posse da terra, pela posse da mulher amada, pela posse do direito de se estar vivo, sem tomar parte da trama não somente como espectador, mas como um quase-personagem, é impossível sentir – a palavra certa é exatamente esta, sentir – a riqueza imensurável que emana do universo de Jorge Amado. A leitura de um livro de Jorge, mais do que dedicação, requer cumplicidade e diálogo – do contrário, se trata de perda de tempo e de energia. O universo proposto pelo autor em suas obras requer da parte do leitor que ele compartilhe com os personagens o choro, o gozo, a indignação, a dor, a esperança, o ressentimento. A experiência de leitura de um livro de Jorge Amado, quer se deseje ou não, marca a vida do leitor.

Por isso a evocação que fiz no início. Não se trata de mera leitura, por distração ou entretenimento. Trata-se, antes, de descobrir – ou redescobrir, ou revisitar – um universo por enquanto inigualável de recursos imaginários por parte do autor, que consegue obrigar o leitor a tomar partido em relação à sua obra. Ou se ama, ou se detesta a obra de Jorge Amado. Uma vez havido o contato, é absolutamente impossível manter-se a neutralidade, o alheamento ou a indiferença com relação à sua obra – mesmo os livros da chamada “fase final” de sua carreira, como “A Descoberta da América pelos Turcos”, escrita sob encomenda em 1992 para comemorar os 500 anos de descobrimento do continente e que revela um autor despojado de qualquer pudor linguístico ou comprometimento ideológico que sempre o caracterizaram, como também “Farda, Fardão, Camisola de Dormir”, ficção que narra um momento de sucessão na Academia Brasileira de Letras.

Durante muito tempo, alimentei uma certa resistência com relação a Jorge Amado. Sempre ouvia falar dele como o escritor brasileiro mais admirado no mundo, tendo suas obras traduzidas para inúmeros idiomas, muito admirado na França, na Rússia, em Portugal… as adaptações feitas para a TV de alguns de seus livros, aquela coisa da Gabriela, da Dona Flor, eu acabava tendo a impressão que no fundo se tratava de um autor “encomendado”, “protegido” pela Globo para a divulgação do produto brasileiro, eu via Jorge Amado e sua obra como uma criação da televisão para exportação, ou seja, no fundo me parecia que a obra de Jorge só tinha como fim ser produto de enriquecimento da Globo, que representava o poder, então por conseguinte Jorge Amado para mim era um subterfúgio encontrado pelo establishment para tentar convencer o mundo de que yes, nós temos literatura.

Isso remonta ao tempo em que me iniciava como leitor e começava a me envolver com os artistas e escritores da minha cidade. Por ingenuidade ou pela osmose que caracteriza grande parte do conhecimento que adquirimos em determinada época de nossas vidas, passei a incorporar, por assim dizer, parte da antipatia que Jorge Amado gerava nos intelectualóides com os quais eu convivia. Com um detalhe: eu nunca havia posto os olhos em um texto de Jorge Amado. Tereza Batista Cansada de Guerra, Tenda dos Milagres, aqueles batuques e atabaques, os terreiros de cadomblé, a sexualidade exacerbada, tudo isso me era mostrado através da televisão, que eu condenava por entendê-la instrumento de alienação popular e construção de mitos. Época da eleição de Collor, e eu contava 21 anos.

Vagando pelos sebos de minha cidade, sempre encontrava coleções inteiras das obras de Jorge. Inteiras. Páginas e páginas daquilo que, para mim, tratavam do mesmo assunto, o cacau, as mulheres (mais notadamente as prostitutas), a luta de classes do sul da Bahia. Nunca mudava de assunto. E se estavam no sebo, é porque para os compradores daquelas obras não valia a pena mantê-las em suas estantes. Eu tinha razão: Jorge Amado não passava de uma invenção do governo para dizer ao mundo que o Brasil também era capaz de produzir escritores.

Mas, como disse Fernando Sabino, “o homem é um bicho que passa a vida a conversar consigo mesmo. O bom de envelhecer é justamente esse: a conversa vai ficando mais interessante”.

O tempo passou e, no meu caso, a conversa se desenvolveu de forma muito agradável. Por coincidência ou providência, comecei minha aventura nos livros de Jorge com ” Capitães da Areia”, a fantástica história dos meninos abandonados da Bahia, sua vida, sua trajetória de miséria, sua condição de penúria e completo abandono, seus crimes, a descoberta do sexo e da violência que, muitas vezes, ocorre simultaneamente. Uma narrativa extremamente crua e com alta carga de ternura, alternando a capacidade de gerar poesia e escândalo em doses que fazem deste, para mim, um livro inesquecível, o preferido do autor pelos leitores portugueses, onde Amado é considerado um dos maiores romancistas a história da Literatura universal.

A partir daí, as leituras se sucederam, passando pelo célebre Mar Morto (do herói Guima) e pelo maravilhoso Terras do Sem Fim, que trata da luta entre os coroneis Badaró e Horácio pela conquista de terras, a disputa pela hegemonia política de Itabuna, o enriquecimento trazido pelo cultivo do cacau, etc.

Estes, livros da chamada primeira fase, que enfatizavam justamente, como já disse, a luta de classes e a idiossincrasia existente entre o bem e o mal que caracterizariam sua obra. Os pobres e injustiçados, os bêbados, as prostitutas, os ladrões, os menores abandonados figuram na obra de Jorge como a representação do Bem, por serem perseguidos, humilhados, injustiçados, condenados à penúria e à miséria pelos representantes do Mal -os coronéis do sertão, os latifundiários, os agiotas, os donos do dinheiro que se armam de capangas e capatazes para subjugar e dizimar os trabalhadores do campo e do porto.

Jorge Amado de Faria, como veremos, baiano de Itabuna nascido em 1912, sempre foi uma criança e um adolescente muito inventivo e problemático, até certo ponto, protagonizando fugas do colégio de padres para onde foi levado pelo pai. Durante estas fugas refugiou-se em prostíbulos, ocasiões em que travou conhecimento com personagens que seriam transferidos para seus livros com grande frequência. Para se ter uma ideia da produção literária de Jorge durante a adolescência, basta dizer que aos dezoito anos consegue entrar para o curso de Direito da Universidade do Rio de Janeiro, para onde se transfere, e no ano seguinte já publica O País do Carnaval, seu primeiro romance, com tiragem de mil exemplares.

Nesta época da faculdade de Direito, Jorge, seguramente influenciado por seus companheiros, adere ao comunismo, filiando-se ao PCB e é acusado de participar de atividades subsersivas na cidade de Natal, sofrendo sua primeira prisão política no ano de 1936 – mesmo ano em que recebe o Prêmio Graça Aranha, oferecido pela Academia Brasileira de Letras, pelo livro Mar Morto. Só para que não percamos as contas: ele tinha 24 anos.

Em 1937 sai Capitães de Areia, e é decretado no Brasil o Estado Novo, que entre outras arbitrariedades passa a perseguir e prender comunistas declarados, como é o caso de Jorge, mas também políticos, artistas e cidadãos comuns. Monteiro Lobato e Graciliano Ramos são alguns dos presos famosos da época. Jorge passa a viajar pelo Brasil tentando fugir, mas é preso em Manaus. 1600 exemplares de seus livros são queimados em praça pública em Salvador. É libertado em 1938 e mesmo após a prisão mantém sua participação política, posicionando-se publicamente contra a tortura de presos e contra a desarticulação do Partido Comunista.

Em 1939 seus livros começam a ser traduzidos para inglês e francês, devendo ser registrada a resenha altamente elogiosa escrita por Albert Camus acerca de Jubiabá. Passa a defender a anistia de Luis Carlos Prestes e publica sua biografia no livro O Cavaleiro da Esperança, que sai em 1942, em espanhol, sendo lançado primeiramente na Argentina e no Uruguai, entrando no Brasil de forma clandestina e provocando nova prisão do autor, que acaba confinado em Salvador, numa espécie de “liberdade vigiada”.

É eleito Deputado Federal com 15.315 votos, e propõe a Lei da Liberdade de Culto, que vigora até hoje. Neste momento já está casado com Matilde, sua primeira esposa, a quem dedica vários de seus livros, e radica-se em São Paulo por conta do mandato de deputado. Continua publicando suas obras e conhece Zélia Gattai, que viria a ser sua segunda esposa e mãe de seus filhos Paloma e João Jorge.

O Partido Comunista é cassado em 1948 e Jorge perde seu mandato, começando nova perseguição. Exila-se com a família na Europa e volta ao Brasil em 1953, por ocasião da morte do amigo Graciliano Ramos. Durante sua estada no Velho Continente, faz amizade com personalidades como Sartre e sua esposa Simone de Beauvoir e Pablo Picasso.

No final dos anos 50 abandona a militância política, sob a alegação de que seu engajamento era prejudicial à atividade literária.

A obra de Jorge continua obtendo cada vez mais êxito e reconhecimento internacional, e em abril de 1961 é eleito para a Academia Brasileira de Letras. No mesmo mês, a TV Tupi estreia a primeira adaptação de Gabriela para a TV. No mesmo ano, é convidado pelo presidente Juscelino Kubitschek para ser embaixador do Brasil na República Árabe Unida, que ele recusa.

O cada vez mais crescente interesse internacional à sua obra o faz adquirir novas amizades: Roman Polanski, Gabriel Garcia Marquez, José Saramago, Mario Vargas Llosa passam a ser visitas frequentes à sua casa no Rio Vermelho, onde já habitam os netos.

É indicado ao Prêmio Nobel de Literatura nos anos de 1967 e 1968, e passam a ser inúmeras as homenagens que recebe, desde batizar ruas e praças até virar tema de samba-enredo de escolas de samba. São inúmeras as adaptações de seus livros para a TV e cinema, inclusive com Marcello Mastroianni fazendo o papel do turco Nacib em Gabriela, em produção ítalo-brasileira da década de 80.

É criada a Fundação Casa de Jorge Amado, no ano de 1987, para preservação e divulgação da sua obra.

Em 2001, suas cinzas são depositadas aos pés da mangueira sob cuja sombra ele se sentara tantas vezes, mãos entrelaçadas às de Zélia, e onde recebeu tantos amigos e admiradores durante sua longa e prolífica vida.

06/08/12

 

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No dia 6 de agosto de 2012 aconteceu a abertura da exposição “Bahia de todas as palavras – 100 anos de Jorge Amado” na Biblioteca Municipal de Campos do Jordão Harry Mauritz Lewin.

 

O evento, que foi aberto e conduzido pelo diretor da Biblioteca, Sérgio Rooke Asquenazi, contou com a presença de Secretários municipais, representando as áreas de Cultura (Hélio Junior Rocha) e Educação (Sérgio Gomes). Também estiveram presentes representantes de diversos setores da sociedade e de empresas, bem como parceiros e frequentadores da Biblioteca.

Sérgio Rooke Asquenazi no momento da abertura da exposição.

Sérgio Rooke Asquenazi e Hélio Junior Rocha, da Secretaria de Cultura.

O escritor, poeta e jornalista Benilson Toniolo fez uma excelente apresentação da obra de Jorge Amado.

O escritor Eduardo Segre leu “O virtuose”, conto inédito de sua autoria.

A professora e artista plástica Yara Cerqueira Cezar leu um trecho de “Dona Flor e seus dois maridos”.

Visão parcial do público presente.

No encerramento, o poeta Tibério Cabral Cordeiro leu um poema dedicado a Gabriela, personagem mais famosa de Jorge Amado, escrito especialmente para a ocasião.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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A Gabriela de Jorge Amado

 

Bela morena

Do corpo bronzeado

Musa divina

Da cor do pecado

 

Cabelo nos ombros

Olhar sedutor

Me curvo a teus pés

Para ter teu amor

 

Seios formosos

Bumbum rebitado

Vestido de chita

E bem decotado

 

Andar de gazela

Provoca o desejo

Há quem desse o mundo

Para afogar-se com teu beijo

 

És a flor que encanta

A rosa mais bela

És sedutora

És Gabriela, cravo e canela

 

Quem te escreveu

Por Deus estava iluminado

Foi o poeta maior

O imortal Jorge Amado

 

Autor: Tibério Cabral Cordeiro

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Durante todo o mês de agosto o escritor baiano Jorge Amado será lembrado por centros culturais, jornais, revistas e tevês do Brasil e do mundo. Afinal, neste, que seria o mês de seu aniversário, Jorge, que foi um dos escritores brasileiro mais editado no exterior, livros traduzidos em 55 países, e 49 idiomas, completaria 100 anos.

Campos do Jordão participa desta celebração mundial com a exposição “Bahia de todas as palavras – os 100 anos de Jorge Amado”, em cartaz a partir do dia 6 de agosto, na Biblioteca Municipal.

A mostra procura apresentar ao público um panorama das diferentes fases do autor. São 12 obras, como “Gabriela, cravo e canela”, “Tieta do Agreste” e “Dona Flor e seus dois maridos”, das quais será possível conhecer um resumo da trama, o histórico, um trecho do texto e reproduções impressas de ilustrações de renomados artistas como Di Cavalcanti e Carybé.  Jorge Amado teve uma vida longa e intensa, deixando para todos uma obra rica e com as cores do Brasil. Desta forma, será mostrada também uma biografia resumida e ilustrada do escritor, com imagens de sua infância, viagens, amores, encontro com celebridades e sua mítica casa de Salvador.

A abertura oficial será nesta segunda-feira, dia 6, às 19 horas. O escritor, poeta e jornalista Benilson Toniolo fará uma apresentação comentada da obra de Jorge Amado. Logo após será servido um coquetel às pessoas presentes. Na sequência haverá um sarau literário, na qual o escritor Eduardo Segre lerá um conto inédito de sua autoria.

A exposição ficará em cartaz até o final do mês. A Biblioteca Municipal de Campos do Jordão possui em seu acervo praticamente todos os livros escritos por Jorge Amado.

 

Serviço:

Exposição “Bahia de todas as palavras – 100 anos de Jorge Amado”

Data: de 6 a 31 de agosto de 2012

Local: Biblioteca Municipal de Campos do Jordão Prof. Harry Mauritz Lewin

Endereço: Rua Dr. Altino Arantes, 80 – Abernéssia – tel. 3664-2992.

Horário: de 2ª a 6ª feira, das 8 às 12 e das 13 às 17 horas.

 

 

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Finas fatias da vida

“Vermelho amargo”, de Bartolomeu Campos de Queirós, é um bom e breve romance que pode ser lido em um único dia. Conta a história de um menino, filho de uma família numerosa, que sente o vazio deixado pela ausência da mãe, falecida há algum tempo. O contraste entre aquela presença sempre carinhosa e o temperamento da nova mulher do pai é intenso e ganha força na hora da comida. “Se a chuva chovia mansa o dia inteiro, o amor da mãe se revelava com mais delicadeza. O tempo definia as receitas. Na beira do fogão ela refogava o arroz. O cheiro do alho frito acordava o ar e impacientava o apetite.” Já as refeições servidas pela madrasta são apenas um dever familiar. A dedicação, o afeto e a riqueza de aromas e sabores desaparecem. E são substituídos por um novo símbolo: um sempre presente tomate que cobre todos os dias, no almoço ou jantar, o arroz preparado pela madrasta. As fatias são cortadas com fria precisão matemática. Quando todos ainda estavam presentes, as fatias eram finas e quase transparentes. Com o passar do tempo e com a perda ou saída dos irmãos, as fatias engordam, mas jamais desaparecem. Neste universo de relações difíceis e duras recordações da infância, o autor jamais perde a luz do valor humano. Com poucas palavras são construídos momentos completos de vida, onde frequentemente nos flagramos por inteiro em nossas próprias lembranças.  “Vermelho Amargo”, de Bartolomeu Campos de Queirós, que ganhou uma edição caprichada da Cosac Naif, pode ser encontrado nas livrarias e também na Biblioteca de Campos do Jordão.

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